quarta-feira, 17 de junho de 2009

"Leite derramado" de Chico Buarque


Fiquei horas pensando em como classificar este livro. Então, em algum lugar da minha mente surgiu a frase pronta: ‘Um deleite derramado aos pés de Chico Buarque’. E é exatamente isso. O autor nos leva a um deleite em 200 páginas, um prazer suave de ler sobre a vida do velho Assumpção, que ao longo dos seus 100 anos consegue ver o cabelo ao vento de sua Matilde e a delicada curva de seus seios do leito do hospital.
É se deleitar com as passagens cotidianas, com as traições e com as demonstrações de poderio da família que teve contato com a corte portuguesa, com o império brasileiro, com a república, com o senado, onde todos os Eulálios tiraram fotos de calças curtas…
Eulálio não sabe se o tataraneto é seu tataraneto, mas lhe ensinou o que sabia. Mas, sua filha acredita que não é ele seu bisneto. No entanto, aquele nariz não lhe é estranho… acho que parecia com o de Matilde, durante a missa de sétimo dia do seu pai, que fez com que ele tivesse sua primeira ereção ao ver a futura mãe de sua filha.
Ao longo da narrativa, Chico Buarque desnuda as virtudes e, principalmente, os defeitos de uma família que já teve tudo, mas que hoje precisa sobreviver à base do dinheiro de um traficantezinho ou da boa vontade de um pastor do subúrbio. O estilo rebuscado e os loopings da história fazem com que o livro seja denso, até mesmo difícil de ler, mas não tira o brilhantismo do texto.
Leitora de todos os livros de Chico, de quem sou uma fã musical incondicional. acredito que em Leite Derramado ele tenha conseguido encontrar seu fio, encontrar seu lugar literário, pois nas outras obras sua genialidade não conseguiu nem chegar perto. E, desta vez, o Homem dos Olhos Azuis pôs em prosa a inteligência já conhecida em versos.


Ficha técnica:


Livro: Leite Derramado
Autor: Chico Buarque
Editora: Companhia das Letras
Nº de páginas: 200
ISBN: 9788535914115
Sinopse: Leite Derramado é o nome do novo livro do escritor, músico e dramaturgo Chico Buarque. A história se passa no Rio de Janeiro e o enredo gira em torno de uma família. A sinopse oficial ainda não foi divulgada pela Editora Companhia das Letras.O lançamento previsto para 28/03 é muito esperado já que Chico teve seus três últimos romances premiados: Budapeste (melhor livro de 2003), Benjamim (1995) e Estorvo (1991), conquistaram o Prêmio Jabuti (maior e mais prestigiado prêmio literário brasileiro).

domingo, 14 de junho de 2009

"Travessuras da menina má" de Mario Vargas Llosa


Desde a adolescência Ricardo Somocurcio, ama a chilenita Lily e esta, mais que tudo, almeja um status social que ele jamais poderá lhe dar. Em busca da vida desejada Otilita, a filha de Arquimedes, o humilde construtor de quebra-mares, será Lily, a camarada guerrilheira Arlette, madame Robert Arnoux, Mrs. Richardson, a japonesinha Kuriko esposa do pavoroso senhor Fukuda, Lucy Solórzano Cajahuaringa casada com o bom menino etc.Enquanto relata a trajetória de vida do peruano Ricardo, também “um coisinha à-toa”, e seu amor de muitas faces, Vargas Llosa nos conduz por Lima, Paris, Londres, Tóquio e Madri descrevendo com lucidez e economia de palavras alguns momentos marcantes da História na segunda metade do século passado. Uma introdução, para os mais jovens, e o recordar para os mais velhos, de eventos e pessoas importantes para a compreensão do mundo como ele é hoje. Os movimentos armados pós-revolução cubana e as freqüentes convulsões políticas na América Latina são analisados e avaliados através da experiência peruana. Jovens são enviados para treinamento guerrilheiro em Cuba, Coréia do Norte ou China Popular. Alguns desconheciam o treinamento ao qual seriam submetidos e muitos serão mortos em Mesa Pelada ou em outras regiões da selva amazônica ou dos Andes sem direito a uma sepultura ou cova de referência. Em Paris somos apresentados aos líderes Luis de La Puente Uceda, fundador do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), e Guillermo Lobatón, comandante da coluna Túpac Amaru do MIR. E depois, o golpe militar e a ditadura do general Juan Velasco Alvarado. O segundo lustro da década de 60 teve palcos, atores e platéias para outras revoluções. Em Londres os jovens revolucionavam a cultura, os costumes, a moral, e questionavam a ordem estabelecida. Llosa relaciona entre nuitos produtos daquele processo a música do Beatles, dos Rolling Stones com Mick Jagger, a popularização das drogas, o teatro de Peter Weiss e a direção de Peter Brook, as manifestações contra a guerra do Vietnã, os “hippies”, as viagens ao Nepal, a liberação sexual, os famigerados “skinheads”, cujo ídolo era o racista Enoch Poewel etc. Em Paris, a revolução de maio de 1968 acelera a queda do General De Gaulle e inaugura a era Pompidou, o que permite a descoberta de outra esquerda, diferente daquela que Cohn-Bendit – um dos líderes do movimento de 68 – chamava de “la crapule staliniene”.No início da década de 70 uma doença manifesta-se principalmente entre as comunidades de homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. Vargas Llosa consegue nos transmitir o clima de medo dos pacientes e incertezas entre os médicos diante de algo ainda desconhecido. O vírus HIV, causador da Síndrome de Imuno Deficiência Adquirida (SIDA), só seria descoberto em 1984.Pelas mãos de alguns dos personagens somos introduzidos no Ginza, bairro da boemia em Tóquio, e mais especificamente, em um dos muitos motéis localizados aí, o Château Meguru, onde todas as formas de sexo são permitidas e o instrumental necessário, principalmente sado-masoquista é disponibilizado. Mas, é através do mafioso Fukuda que Llosa não nos inicia, e sim nos afoga no mar de porcarias que as relações humanas podem chegar. Que a Yakusa não seja benevolente com o senhor Fukuda é o que o autor nos faz desejar.“Travessuras da menina má” é um romance de vidas, não é um tratado de História. Porém Llosa consegue dar um tratamento pessoal aos fatos e personagens como só um historiador é capaz. Aliás, qualquer um que tenha testemunhado e convivido apaixonadamente com aquele mesmo universo também o faria. Desde que fosse um clone perfeito de Mario Vargas Llosa.AUTOR: Mario Vargas Llosa. TRADUÇÃO: Ari Hoitman e Paulina Wacht. EDITORA: Editora Objetiva Ltda.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

"As Memórias do Livro" de Geraldine Brooks


Com um título sugestivo, “As Memórias do Livro” parece soar estranho à primeira vista, mas traduz exatamente seu conteúdo: é um livro que conta a história de outro livro.
Este é o quinto livro da autora, a jornalista do Washington Post, Geraldine Brooks e já se tornou um best-seller. A autora usou uma pitada de ficção para relatar os caminhos percorridos por um livro conhecido como a “Hagadá de Sarajevo”, de alguns daqueles que tentaram destruí-la e também de outros que, com sucesso salvaram-na nos últimos séculos. Quem conta a história é a fictícia personagem Hanna, uma australiana contratada pela ONU para trabalhar na restauração e preparação do livro para ser apresentado ao público. A cada página, a personagem encontra pistas, que posteriormente darão inicio de onde e com quem o manuscrito esteve quando foram parar no livro, relatando todo o percurso, problemas e personagens (alguns deles reais) que colaboraram (ou não) para que o manuscrito chegasse daquela forma ao local onde está. O ponto mais alto do livro é mostrar um lado talvez esquecido, ou melhor, ignorado, por muitos de nós, fatos que esclarecem o passado e põe à tona verdades um tanto desconhecido pela maioria: a perseguição dos judeus, que começa com a Inquisição feita pela Igreja Católica (bem antes do que muitos se recordam e com conseqüências talvez tão grandes como feitas por Hitler) e chega ao cume com os nazistas. Fala também sobre as questões entre mulçumanos e judeus, que mostrou compaixão e respeito por esse povo no decorrer dos séculos.
“As Memórias do Livro” retrata os momentos delicados no mundo para o povo judeu, colocando em evidência épocas desesperadoras, sem terra, sem país, vivendo em um local onde eram perseguidos por sua crença, considerados “assassinos de Jesus”. Ao mesmo tempo mostra outro lado pouco mencionado, quem estendeu a mão, deu abrigo e liberdade religiosa: os mulçumanos. Esses dos quais são os principais heróis de “As Memórias do Livro”, já que por diversas vezes, encararam o perigo para que a Hagadá de Sarajevo não fosse para a fogueira.
É interessante explicar sobre o manuscrito que deu origem ao livro: Hagadá é um manuscrito judaico que relata a escravidão e a saída dos hebreus do Egito descrita no livro de Êxodo, acrescido de orações e Salmos. É um manuscrito usado nas celebrações da páscoa utilizado por diversas famílias judaicas, para facilitar em uma das leis instituídas por Deus: “E contarás a teu filho, naquele dia, dizendo: por causa do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito” (Êxodo 13:8). A Hagadá de Sarajevo foi criada para ser um presente de casamento. Foi produzida na Espanha, durante o reino de Aragão, é decorado com ouro e bronze e cores vivas. Tornou-se especial por possuir peculiaridades, dentre elas ilustrações que não são comuns nos livros judaicos, que costumam seguir ao mandamento que proíbe imagens esculturas.
No século XV, a Hagadá sai da Espanha junto com a família que a possuía e que foram expulsos, junto com os demais judeus, pela Inquisição espanhola. Os judeus espanhóis se refugiaram nas áreas do Império turco-otomano dominada pelos mulçumanos. Chegou à cidade de Sarajevo, capital da Bósnia, no século XVI, levada pela família a quem pertencia, os Cohen, que vendeu o manuscrito séculos depois para o Museu Nacional da Bósnia devido a problemas financeiros.
Desde então a Hagadá de Sarajevo passou por guerras e conflitos armados grandes naquela região, como I e II Guerra Mundial e a guerra civil da Iugoslávia, as duas últimas, salvas por mulçumanos, que mostraram assim o respeito que possuem por outras religiões, ação contrária ao que o cristianismo tem mostrado desde sua criação.
Com uma história como essa, o livro de Geraldine Brooks se torna fascinante, nos ensina mais sobre a cultura e história de um povo muito comentado, mas que só conhecemos nos tempos de Moisés e Jesus, mas ainda continua a criar história. De seus ritos e cultura, e principalmente, os motivos de ações e conflitos atuais, são bem diferentes dos que pensamos ser.
Para saber mais sobre a hagadá de Sarajevo, visite o site da revista Morasha

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón

“Nós existimos enquanto alguém se lembra de nós.” (Carlos Ruiz Zafón)

O escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón (1.964) inicialmente dedicava-se à ficção infantil. Após a premiação d'O Príncipe da Neblina em 1.993, refugiou-se em Los Angeles e empenha-se agora n'uma tetralogia sobre a história de Barcelona. O primeiro livro é A Sombra do Vento e se todas as resenhas lidas realçam a combinação de gêneros, deixam de mencioná-lo como uma grande e sincera homenagem ao livro, aos escritores e aos leitores. O livro é apresentado não só como objeto, mas também como portal de novos planos e enriquecedor da existência. É valorizado não o mero preenchedor de páginas, mas o escritor real, renomado ou não, cujas obras ampliam o espírito humano. E por fim, é homenageado o leitor que lê sem leviandade, apenas para passar o tempo, o leitor que termina um livro porém esforça-se em conhecer mais a respeito da obra e de quem a escreveu. Tão sincero é o apreço ao livro, que o autor é cortejado para autorizar a filmagem, mas não quer ceder os direitos sem garantias mínimas de fidelidade do filme ao escrito. Este, segundo ele, é mais importante que a "película".Toda a narrativa transcorre em Barcelona, na Espanha sob o jugo de Franco. O fundo histórico é saliente porém não predominante, ou seja, as referências aos fatos da época ilustram sem a preocupação de reconstruir o período. A preocupação “de fundo” revela-se no ambiente. Não me recordo dos personagens reclamando de calor: sempre há chuva, neve, frio, neblina e nevoeiro. Reporta-se muito a acontecimentos pretéritos, que ao menos para mim, sempre são esbranquiçados, enevoados. Alie-se ao clima a descrição de palácios neo-góticos, casarões sombrios, lugares sinistros e compreender-se-á o motivo de apontarem influências de Edgar Allan Poe. Deveras, deixando o romance do espanhol, senti vontade de reler alguns contos do norte-americano. Além d'isso, o "Cemitério dos Livros Esquecidos" é de perceptível inspiração na Biblioteca de Babel, o famoso conto de Jorge Luis Borges - "Quando se proclamou que a Biblioteca abarcava todos os livros, a primeira impressão foi de uma extravagante felicidade".
O começo é simples: o menino Daniel é levado pelo pai ao mencionado Cemitério, escolhe um livro - A Sombra do Vento - e após a leitura interessa-se em descobrir mais sobre o autor, o primeiro desconhecido e depois misterioso escritor Julián Carax. O mistério que envolve Carax é labiríntico. Do lado de fora de um labirinto, podemos ver a porta de entrada e a de saída. A mesma coisa com o romance: logo nas primeiras partes suspeitamos qual seja o final. Ante a profusão de informações e pistas - falsas ou não -, chegamos a desconfiar se o autor terá êxito em apresentar uma solução plausível. Felizmente, ele é bem sucedido e as suspeitas do leitor não são facilmente confirmadas. Escritor e personagem - Carax - têm predileção por histórias macabras e de mistério. As mães dos colegas de escola do jovem Zafón procuravam a sua para perguntar o que tanto ele contava para seus filhos acordarem chorando à noite.Escolhendo um escritor fictício, Zafón rejeitou trançar ficção e biografia. Sendo imaginário o seu Julián Carax, decidiu incluir entre seus méritos a autoria de vários livros que, embora pouco lidos por seus contemporâneos, despertaram a sede da Leitura nos que se dedicaram as suas páginas. O personagem Daniel Sempere testemunha: "Naquela tarde, de volta ao apartamento da rua Santa Ana, refugiei-me no meu quarto e decidi ler as primeiras linhas do meu novo amigo. Antes de perceber, tinha mergulhado completamente no livro (...) Os minutos e as horas transcorreram como numa alucinação. Horas mais tarde, aprisionado pelo relato, apenas percebi as badaladas da meia-noite repicando ao longe, no sino da catedral (...) O sonho e a fadiga queriam me derrubar, mas eu resistia a entregar-me. Não queria perder o encantamento da história nem dizer ainda adeus aos seus personagens". Eis dois pontos familiares a qualquer leitor. O primeiro refere-se a esta sanha de terminar a leitura de certos livros, passe o tempo que passar. O segundo, mostrando que na maioria dos casos não são os chamados "clássicos" que despertam o amor ao Ler, e sim obras de autores ditos "menores". N'este aspecto, frágil a distinção entre "grandes" e "pequenos" escritores. Por que chamar "menor" o escritor que despertou n'uma pessoa o gosto pela leitura e até mesmo pelo saber? Embora isso possa redimir uma infinidade de escrevinhadores, beira a ingratidão classificar como "de segunda linha" o autor que acompanhou nossos primeiros passos rumo às obras universais ou, principalmente, à evolução individual. Cada leitura tem sua fase e feliz a criança que cedo deparou-se com o livro correto.Ainda sobre a grandeza ou pequenez dos escritores. Freud elaborou uma lista de dez livros que considerou notáveis e recentemente foi necessário escrever dois volumes para esclarecer quais são.O fato do pai de Daniel apresentá-lo ao mundo dos livros é um dado valioso. Não só Sempere, pai, é dono d'um sebo de livros - um alfarrabista, como preferem os portugueses - mas também levou o menino ao grande armazém onde ficam depositados os livros esquecidos. Como Daniel provavelmente seguiria a carreira paterna, iniciou-o na tradição incitando-o a escolher um dos volumes com o compromisso de jamais desfazer-se d'ele. Não sei se foi intenção de Zafón, mas ele acabou por ressaltar o papel dos pais em impulsionar os filhos a conhecer os livros, papel este fundamental e decisivo. Não sou e nem descendo de intelectuais, mas tudo que li e estudei decorre de duas regras implícitas que acredito geneticamente asseguradas: a primeira consiste em pensar antes de falar ou fazer e a segunda consiste em estudar antes de pensar.Um dos melhores personagens é Fermín Romero de Torres. Chamá-lo simplesmente "malandro" aproximá-lo-á em demasia do tipo descrito comumente pela prosa urbana brasileira e transmitirá uma idéia errônea. Pode-se melhor descrevê-lo como um Sancho Pança que obteve algumas luzes mas não alcançou a estupidez de Pangloss. O escritor teve grande inspiração ao criar esta figura extremamente hilária, enxerida e absolutamente leal aos amigos.

Crepúsculo de Stephenie Meyer


Crepúsuculo é um bestseller forte candidato à uma nova febre, como foi e é o Harry Potter. A ficção escrita por Stephenie Meyer narra a história da garota Bella, que após se mudar para Forks – uma cidade um tanto desagradável para ela -, acaba se apaixonando por um rapaz. Narrado em primeira pessoa, trata-se de um típico romance juvenil, se não fosse fato de Edward Cullen – o rapaz – ser um vampiro.O toque do sobrenatural tempera a trama, que é norteada por clichês típicos de filmes de terror dos anos 90. O amor impossível deve-se ao fato de Edward não controlar seus instintos vampíricos, pondo em risco a vida da sua amada, uma vez que tem sede do sangue da mesma.
A autora é precisa no uso dos adjetivos, o que torna a trama mais realista; sendo assim cria-se um clima psicológico condizente com as situações, fazendo até com que o leitor se identifique com algumas cenas.
Em contraponto, o livro é uma tremenda enrolação. Enquanto um livro comum levaria umas 50 páginas para apresentar os personagens e introduzir o rumo ao clímax, O Crepúsculo demora 270 páginas, e ainda assim o final não é grande coisa.
Para uma leitura mais ‘passa-tempo’ vale a pena aderir ao livro. Caso queira um roteiro mais complexo, personagens detalhados e conflitos mais trabalhados, abstenha com distância do livro.
Crepúsculo (Twilight)
Autor: Stephenie Meyers
Tradutor: Ryta Magalhães Vinagre
Editora: Intrínseca
Páginas: 390
Ano: 2008