segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um Bestseller pra Chamar de Meu – Marian Keyes


Sinopse: Se você é daqueles que acha que um escritor de sucesso já tem a vida ganha porque publicou um livro que vendeu igual água, você é mais um que precisa se informar mais sobre o que acontece nos bastidores editoriais. Ah, tudo bem, você sabe que exitem editores, agentes literários, entre outros personagens que atuam neste ramo... mas o que fazem, como sabem qual é "o livro", "quem" é o escritor, "quando" vai acontecer aquele lançamento, entre outras dúvidas que atormentam essas pessoas, bem, isso chega ao alcance de poucos.
Jojo é a personagem focada, com olhos bem atentos às nuvens para não errar o plano de vôo, mas como nada é perfeito... ela acaba se apaixonando por um dos seus chefes; justamente o casado.
Lily Wright ainda está colhendo os frutos de seu romance de estréia. Contudo, seu segundo livro parece que se nega a sair de sua cabeça, e o prazo de entrega... vai para o espaço. Acontece que Lily ouviu os conselhos do "amor da sua vida" e gastou quase todo dinheiro na compra de uma casa. E agora?
Para completar o elenco principal, Gemma Hogan. Era a melhor amiga de Lily, até se apaixonar pelo amor da sua vida, que coincidentemente (ou não) é o mesmo do de sua melhor amiga. Gemma cuida da mãe recém-abandonada pelo marido e leva uma vida social sem grandes emoções.
Talvez o livro mais curioso de Marina Keyes depois de Melancia, Um Bestseller pra Chamar de Meu reúne ingredientes infalíveis para quem curte o mundo dos livros e é apaixonado por boas histórias de vida contemporâneas.

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É Marian Keyes e quem conhece e é fã sabe que eu não precisaria dizer mais nada, mas meu estado de êxtase com esse livro é tanto que não consigo ficar sem me derramar de elogios para com a autora, a história e até a editora.

A Bertrand Brasil Ltda. tem uma jóia nas mãos e está de parabéns por publicá-la. Obrigada pela iniciativa de lançar Marian Keyes no mercado brasileiro. Leio sempre um lançamento dela, porque sei que é garantia de bons momentos. Não preciso que ninguém me indique, faço o melhor estilo “ainda não li, mas já gostei”. Assim sendo não é fácil para eu aceitar – por mais respeito que eu tenha pela opinião alheia – que tem quem não aprecie suas histórias.

Marian Keyes não baixa o nível, não força piadas ou situações que em vez de engraçadas se tornam patéticas. Seus personagens não são destrambelhados, limitados ou ignorantes como é comum em muitos livros chick-lit.

Em Um Bestseller pra Chamar de Meu temos Gemma, Jojo e Lily como protagonistas. Elas são responsáveis, inteligentes, dinâmicas e respeitáveis. Que carente eu e – acredito que também – o mundo literário estávamos de personagens marcantes.

Gemma é uma organizadora de eventos que se vê obrigada a cuidar da mãe que foi abandonada pelo marido. Ela está sempre se correspondendo por e-mail com sua amiga de Boston e esses e-mails são recheados de histórias hilárias que podem muito bem virar um livro.

Jojo é uma agente literária linda e batalhadora, mas se envolve com um de seus chefes que é casado. Eu sei que vocês estão pensando que é um clichê, mas aqui a situação é diferente. Pensa que ela fica se lamentando por ele não abandonar a esposa para ficar com ela? Que passa as noites de sábado chorando? Definitivamente não. Embora esteja apaixonadíssima, ela é que o “enrola”.

Lily é autora de relativo sucesso. É casada com o sempre otimista Anton e mãe de Ema (com um “m” só mesmo). Mas se verá muito decepcionada com seu momento presente e em dúvida sobre o futuro.

Gemma e Lily eram amigas até que Anton – ex-namorado de Gemma – se apaixona por Lily e ela por ele. Jojo é agente de Lily e futuramente será também de Gemma, mas as três nunca estarão juntas na história. Ainda tem Irina, sempre pessimista; Owen, um caso de Gemma; a turma toda da agência na qual Jojo trabalha; o farmacêutico Johnny e vários personagens secundários que contribuem muito com a comédia toda.

Bem, reconheço! Exaltei-me na paixão. Talvez esse alto-astral todo seja reação da boa história. E talvez você leia e deteste. Mas sou fã número 1 e não nego essa condição.

www.livronochadascinco.blogspot.com

"Melancia" de Marian Keyes



Sentimentalismos à parte, Melancia é uma rara surpresa da literatura estrangeira contemporânea. Por esse motivo, não é de se admirar que antes de estar na lista dos mais vendidos no Brasil, estourou na Inglaterra, fazendo com que a escritora irlandesa Marian Keyes, autora do livro, tenha vendido a peso de ouro os direitos autorais para a publicação de suas obras na Alemanha e Estados Unidos.
O universo da mulher na faixa dos 30 anos é retratado por meio de personagens carismáticos, reviravoltas e comentários hilariantes e feministas da protagonista. É claro que não faltam farpas ao comportamento masculino. Melancia é de uma leitura maravilhosamente despretensiosa,
ironizando e se aproveitando dos clichês para elaborar uma boa história, embora com uma narrativa àgua-com-açúcar e previsível.

O livro conta o drama da garçonete Claire, abandonada pelo marido após dar à luz uma menina, logo depois que ele confessa ter um caso com uma vizinha também casada. Com a auto-estima em baixa, 29 anos e a forma física aparentando a de uma melancia, Claire resolve voltar para a casa da família: o pai à beira de um ataque de nervos, a mãe com fobia de cozinha e viciada em telenovelas e duas irmãs. Uma, destruidora de corações; outra, fanática pelo ocultismo.

Em meio a muitas lágrimas, depressão e bebedeiras, Claire refaz a vida e se interessa por Adam - boa pinta, inteligente e, claro, supersensível. O problema é que ela acha que Helen - a irmã demolidora de corações - está apaixonada, pela primeira vez, pelo tal galã e não quer magoá-la. Para complicar a situação, James, o marido, volta, acusando a mulher de tê-lo induzido a procurar uma amante.

Cada capítulo do livro parece o episódio de uma Sitcom - Situation Comedy - ou mesmo um folhetim de alguma novela das seis. O enredo gira em torno de coincidências ("... então, simplesmente aconteceu que me sentei ali e Adam entrou, apenas uma hora e meia depois que eu chegara..." pág. 276), segredos que só se revelarão no último capítulo, um audacioso plano de vingança e uma lição de moral: o que não mata fortalece, desde que a desgraça seja encarada com o mínimo de senso de humor. Bom para você ler quando estiver triste. O jeito é degustar a Melancia com prazer, já que o livro está bem longe de ser um "abacaxi".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez


Tempos atrás comecei a ler o livro Cem Anos de Solidão do escritor colombiano Gabriel García Márquez. A história se passa numa cidade fictícia chamada Macondo, perdida em algum lugar do Caribe. Gabriel García Márquez – prêmio Nobel de literatura - é o precursor da escola latino-americana de realismo fantástico, seus livros são recheados de situações oníricas e fantásticas aliadas aos costumes e cultura latino-americana.

Acabei a leitura e fiquei impressionado com o capítulo final, especificamente na forma como o escritor amarra toda a história de várias gerações da família Buendía de forma magistral, tornado o romance praticamente uma história cíclica. Após a leitura da última página no final catártico do livro, voltei automaticamente à primeira página somente para me certificar como começava a história e o livro envolveu-me. Acabei lendo-o novamente, consecutivamente.

Quero chamar atenção para uma passagem do livro na qual o autor faz a descrição de uma relação sexual entre um homem e sua tia. A passagem é de um erotismo impressionante, o que me chamou a atenção, visto que não se encontram muitos ensaios sobre o erotismo e a sexualidade na obra do escritor colombiano. Faz-se necessária uma introdução para entender em qual momento da narrativa nos encontramos: Os personagens citados são Aureliano Buendía, sua tia Amaranta Úrsula e Gastón seu esposo. Aureliano é o filho bastardo de Meme que foi despachada para um convento logo após a gravidez e morreu por lá de velhice. Entregue aos cuidados da avó por uma freira do convento ele nunca conheceu o mundo e permaneceu praticamente escondido da sociedade, fechado dentro de um quarto tentando decifrar os antigos pergaminhos do cigano Melquiádes. Amaranta que é a irmã mais nova de Meme viveu a infância toda aprontando travessuras junto com seu sobrinho Aureliano, pois na época tinham praticamente a mesma idade. Quando Amaranta entrou na adolescência foi estudar em Bruxelas a capital da moda, era uma mulher moderna para o seu tempo e decidiu voltar a morar na cidade de sua infância, Macondo, que por essas épocas era um vilarejo perdido e empoeirado. Trouxe à tira-colo o marido Gastón, um sujeito fino que almejava montar uma companhia de aviação postal naquela cidade perdida. Aureliano sonhava e nutria uma paixão secreta pela tia desde a infância e a cena se passa no momento em que ele já não agüenta mais tamanha ansiedade e embriagado pelo álcool e pela paixão descabida resolve tomar o que lhe acredita ser de direito. Amaranta também sempre gostou de Aureliano e quando voltou de Bruxelas ficou fascinada pelo homem rústico e de ar solitário no qual se transformara o sobrinho, chama-lhe de “meu antropófago”. Cabe salientar que Aureliano e Amaranta nunca souberam de seu parentesco e moravam os três na mesma casa.