quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Vencendo o desafio de escrever um romance" Ryoki Inoue


Quem conhece a obra de José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue sabe do extremo apuro com que ele elabora seus romances. Os contextos históricos e geográficos são exaustivamente pesquisados para que seus personagens se movam no cenário adequado. A linguagem elegante e os diálogos precisos fazem da leitura um prazer. Os conflitos centrais das narrativas – todo romance tem um conflito, ele ensina – se desenvolvem de forma a prender a atenção do leitor até o fim. Pois bem: Ryoki resolveu compartilhar sua técnica afiada com os candidatos a escritores. Há dez anos ele já havia dado um passo nessa direção ao publicar “O Caminho das Pedras”, um volume de normas que ensinavam a escrever bem. Agora, com “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”, ele leva seu projeto a frente com um manual completo sobre como se aventurar com sucesso na literatura de ficção.

Escrever romances é um sonho recorrente de muita gente amiga das letras. Seja por um desafio pessoal, para se provar capaz de aderir à seara dos autores que admira, seja por vislumbrar uma possível carreira de escritor. Mas escrever um romance – sabe quem já tentou – significa percorrer uma longa jornada por terreno acidentado. Não basta uma boa idéia. Para chegar ao fim do percurso, é preciso levar na bagagem uma extensa lista de ferramentas, necessárias até para saber se a idéia inicial é realmente boa. Sem elas, o romance desmorona e se transforma num amontoado de palavras incapaz de atrair leitores. Todas essas ferramentas estão em “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”. A obra impressiona pelo detalhamento com que o autor explica cada uma das etapas necessárias para chegar ao resultado que o título promete.

Para exemplificar suas lições, Ryoki cita no livro muitos autores de leitura imprescindível para quem quer escrever romances. Entre eles, Thomas Mann, o gigante da literatura alemã, autor de “A Montanha Mágica” e “Morte em Veneza”. Mann definia o escritor como “alguém que tem mais dificuldade em escrever do que as outras pessoas”. Ryoki, ao que tudo indica, partilha da mesma opinião. Logo no início de “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”, do alto de seu cachimbo que emite vapores filosóficos, ele adverte que para construir um romance “é fundamental o sacrifício, o esforço, o deixar de lado momentos de lazer, de diversão, de sono”. Até mesmo a boa forma física, ele alerta, é importante no processo. O autor diz que procura encarar as etapas da elaboração de um livro como pedras a serem removidas do caminho. Deparar-se com essas pedras, contudo, não produz desânimo, mas estímulo e desafio para seguir adiante. Ryoki explica como lidar com cada uma dessas pedras – a sinopse, o argumento, a story-line, a “síndrome da tela cinza do computador” e até mesmo a negociação dos direitos autorais com a editora. Mas, atenção: na prosa leve e bem humorada de Ryoki, essas advertências e orientações nunca soam ameaçadoras. As pedras de Ryoki sorriem. Até mesmo Stanislaw Ponte Preta, o rei da gozação no Rio de Janeiro dos anos dourados é citado um par de vezes.

É bom esclarecer que poucos autores brasileiros seriam tão qualificados quanto Ryoki Inoue para escrever um manual como este. Ryoki tem no currículo 1.074 romances publicados, cifra que o alçou ao Livro Guinness dos Recordes – a edição internacional, ressalte-se – como o autor que mais escreveu livros até hoje no mundo. Outra característica da obra de Ryoki que o habilita a passar adiante suas lições é a variedade de gêneros a que ele já se dedicou. Em matéria de ficção, o homem já escreveu de tudo, de suspense a faroeste, de histórias de amor a aventuras baseadas em fatos reais. A essa última categoria pertence o mais recente romance de Ryoki, “Saga”, uma espécie de “Cem Anos de Solidão” da imigração japonesa no Brasil. Um colosso no qual se vê como funcionam, na prática, as lições que ele reúne neste manual.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O PRÍNCIPE – MAQUIAVEL


O “Príncipe”, obra de Nicolau Maquiavel, trata da hereditariedade, da conquista e manutenção de um governo. O autor chama “Príncipe” os governantes (reis) da época e antes a publicação da obra. Além da hereditariedade, da conquista e manutenção de um governo a obra traz em si conselhos, feitos por Maquiavel, e comprovados com narrativas de reis passados e seus feitos de sucesso ou fracasso.
Dentro da obra o leitor encontrará uma estrutura moldada em 26 capítulos distribuídos sob tópicos que podem ser divididos da seguinte forma: Os iniciais tratam da forma pela qual o Príncipe (governante) adquire o seu principado (governo) e como deve porta-se para conservá-lo, Maquiavel cita como alguns reis perderam seus reinados: caso de Dario, da Pérsia. Do capítulo VI ao XIV, o escritor aborda a importância do Exército e das armas para conquistas ou guarda do principado (governo). Nos capítulos finais, Maquiavel, trabalha a psicologia comportamental do Príncipe (Governador, Presidente, Rei) diante de seus subordinados, aqui, o escritor intensifica seus conselhos, os dando na sua maioria em primeira pessoa e direto aos líderes.
Quando escreve o livro, Maquiavel o faz tentando agradar Os Médices, os governantes da sua época, embora não o consiga de mediato e sofre o desemprego, Maquiavel é contratado mais tarde.
É interessante relatar aqui alguns fatos e conselhos que tomam destaque na obra e que por si resumem os capítulos do livro, é o caso da frase do capítulo III, onde Maquiavel exemplifica o surgimento de um principado: “Os principados são ou hereditários, quando a estirpe do seu senhor desde longo tempo os rege, ou novos. Estes, ou são totalmente novos, como foi o de Milão para Francisco Sforza, ou são como membros acrescidos ao estado hereditário do príncipe que os adquire, como é o reino de Nápoles para o rei da Espanha.”. A partir daqui o autor busca explicar aos reis a hereditariedade de um Estado, seus pontos falhos, fracassos ou sucesso, claro que como dito anterior, Maquiavel, justifica usando narrativas passadas. Nesta parte, Maquiavel mostra que o principado novo sofre mais dificuldades para se manter, enfrentando rejeições, revoltas e guerras civis dentro da nova conquista: “É que os homens gostam de mudar de senhor, julgando melhorar, e esta crença os induz a pegar em armas contra quem os governa”.
Ainda nos capítulos iniciais do livro, alguns trechos podem chocar o leitor, sendo este do povo ou assessor, mas é uma prática aconselhável, segundo Maquiavel, para o sucesso de um Principado (governo): “Note-se que os homens devem ser bem tratados ou então aniquilados”. Segundo Maquiavel, um Rei há que tomar uma única posição em determinados momentos e as impor com todo o rigor.
Muitos principados surgem e são os mais variados meios para se consegui-los, como dito anterior, por hereditariedade, por conquista, eclesiásticos, por crimes e por agrado Civil. Neste último, o autor coloca que sempre haverá maior tranqüilidade para o Príncipe, pois aqui ele chegara com o apoio do povo: “Quem, portanto, se tornar príncipe, com o favor do povo deve conservá-lo seu amigo; e isto não lhe será difícil, já que o povo só deseja estar livre da opressão”. Além do citado, encontrado no capítulo IX, é comum a menção de Maquiavel no tocante aos príncipes e os tratamentos que devem ser destinados aos seus súditos civis.
Além do povo, dos principados novos e hereditários, o escritor destina boa parte do livro os Principados e suas Defesas, ou seja, aos soldados e as armas, para falar sobre esta parte, o escritor reserva os capítulos XII, XIII, XIV expondo as narrativas de reis que agiram com soldados próprios, milícias ou com soldados emprestados; chama a atenção que lutar ao lado de milícias é caminhar rumo ao fracasso: “Desejo demonstrar melhor os males que o emprego dessas tropas acarreta. Os capitães mercenários ou são homens de valor ou não. Se o são, ninguém pode confiar neles, pois sempre aspirarão à grandeza própria, seja oprimindo, para isto, o príncipe que lhes paga o soldo, seja oprimindo os outros, fora das intenções dele”. Como sempre Maquiavel, exemplifica seus argumentos usando casos acontecidos na história e cita Os cartagineses que viram submetidos a soldados mercenários. O caso de Filipe de Macedônia que acabou por tirar a liberdade dos tebanos, de quem havia recebido o cargo de capitão das suas tropas após a morte de Epaminondas.
Claro que o escritor ainda relata os prejuízos das tropas emprestadas, das mistas e por fim argumenta que o melhor é o Príncipe (governador) lutar sempre com suas próprias tropas.
Os últimos capítulos são referentes às atitudes que o “Príncipe” deve tomar para com os seus súditos: se este deve encher-se de bondade para com o seu povo ou deve ser temido; cruel ou clemente; cumprindo as promessas e de que forma. Resuma-se que o restante do livro a partir do capítulo XV é sobre o comportamento do príncipe para o êxito na empreitada. “Na verdade, quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os princípios da bondade, caminha para a própria perdição”. É importante ressaltar que nestes capítulos Maquiavel aconselha até sobre os gastos que o príncipe deve ter com seu povo. Ao término do livro, o Conselho é direto aos Príncipes da Itália, de sua época, claro. Neste término, Maquiavel encerra o livro exaltando as lideranças a lutarem pela liberdade da Itália, o escritor exalta a liberdade com argumentos e narrativas que vão desde o religioso ao humano.
Portanto, “O Príncipe” é uma obra que merece atenção a quem queira governar mesmo nos séculos atuais. A linguagem é clara e se desenrola com narrativas históricas interessantes. Os conselhos de Maquiavel merecem destaque dentro da obra, pois são apresentados com argumentos convincentes e duradouros ao tempo. A psicologia e a filosofia aplicadas no livro o torna imortal, compara-se aqui esta imortalidade semelhante ao “AMOR” de Shakespeare que eternizou “Romeu e Julieta”, ao “CIÚME” de Machado de Assis que eternizou “Bentinho em Dom Casmurro”. Para eternizar “O Príncipe”, Maquiavel abandona estes sentimentos – Amor, Ciúmes e lança mão de um sentimento humano tão imortal quantos os outros: A vontade de liderar, de governar, de ter poder. Tudo isto torna “O Príncipe” uma obra seleta, onde só uns poucos têm a capacidade de lê-la e compreendê-la na prática.


POR ISAAC SABINO

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Pecados Sagrados" de Nora Roberts




Combinando cenas de suspense explosivo com paixões arrebatadoras, Nora Roberts bota pra ferver nesta noví­ssima e clássica história - a tórrida narrativa de um casal no encalço de um assassino enlouquecido, uma busca que os fará mergulhar de cabeça no perigo.Nos indolentes dias de verão, uma impiedosa onda de calor é o principal assunto na capital norte-americana. Mas a condição climática logo deixa de ser matéria das primeiras páginas quando uma jovem é encontrada morta por estrangulamento. Um bilhete foi deixado: Seus pecados lhe são perdoados.Logo surgem duas outras ví­timas, e, de repente, as manchetes passam a ser dedicadas ao assassino que a imprensa apelidou de "Padre".Quando a polí­cia pede à Dra. Tess Court, uma psiquiatra renomada, que auxilie na investigação, ela apresenta o retrato de uma alma perturbada.O detetive Ben Paris não dá a mí­nima para a psique do assassino. No entanto, o que ele não consegue descartar com facilidade é a sensual Tess.Moreno, alto e bonitão, Ben tem uma reputação lendária com as mulheres, mas a fria e elegante Tess não reage como as outras que ele conheceu... e o detetive acha o desafio sedutor. Agora, enquanto os dois estão juntos numa perigosa missão para deter um serial killer, irrompe a chama de uma paixão incandescente.Mas há alguém que também está de olho na linda médica loura... e só resta a Ben rezar para que, se o assassino atacar, ele consiga detê-lo antes que seja tarde demais...