segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um Bestseller pra Chamar de Meu – Marian Keyes


Sinopse: Se você é daqueles que acha que um escritor de sucesso já tem a vida ganha porque publicou um livro que vendeu igual água, você é mais um que precisa se informar mais sobre o que acontece nos bastidores editoriais. Ah, tudo bem, você sabe que exitem editores, agentes literários, entre outros personagens que atuam neste ramo... mas o que fazem, como sabem qual é "o livro", "quem" é o escritor, "quando" vai acontecer aquele lançamento, entre outras dúvidas que atormentam essas pessoas, bem, isso chega ao alcance de poucos.
Jojo é a personagem focada, com olhos bem atentos às nuvens para não errar o plano de vôo, mas como nada é perfeito... ela acaba se apaixonando por um dos seus chefes; justamente o casado.
Lily Wright ainda está colhendo os frutos de seu romance de estréia. Contudo, seu segundo livro parece que se nega a sair de sua cabeça, e o prazo de entrega... vai para o espaço. Acontece que Lily ouviu os conselhos do "amor da sua vida" e gastou quase todo dinheiro na compra de uma casa. E agora?
Para completar o elenco principal, Gemma Hogan. Era a melhor amiga de Lily, até se apaixonar pelo amor da sua vida, que coincidentemente (ou não) é o mesmo do de sua melhor amiga. Gemma cuida da mãe recém-abandonada pelo marido e leva uma vida social sem grandes emoções.
Talvez o livro mais curioso de Marina Keyes depois de Melancia, Um Bestseller pra Chamar de Meu reúne ingredientes infalíveis para quem curte o mundo dos livros e é apaixonado por boas histórias de vida contemporâneas.

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É Marian Keyes e quem conhece e é fã sabe que eu não precisaria dizer mais nada, mas meu estado de êxtase com esse livro é tanto que não consigo ficar sem me derramar de elogios para com a autora, a história e até a editora.

A Bertrand Brasil Ltda. tem uma jóia nas mãos e está de parabéns por publicá-la. Obrigada pela iniciativa de lançar Marian Keyes no mercado brasileiro. Leio sempre um lançamento dela, porque sei que é garantia de bons momentos. Não preciso que ninguém me indique, faço o melhor estilo “ainda não li, mas já gostei”. Assim sendo não é fácil para eu aceitar – por mais respeito que eu tenha pela opinião alheia – que tem quem não aprecie suas histórias.

Marian Keyes não baixa o nível, não força piadas ou situações que em vez de engraçadas se tornam patéticas. Seus personagens não são destrambelhados, limitados ou ignorantes como é comum em muitos livros chick-lit.

Em Um Bestseller pra Chamar de Meu temos Gemma, Jojo e Lily como protagonistas. Elas são responsáveis, inteligentes, dinâmicas e respeitáveis. Que carente eu e – acredito que também – o mundo literário estávamos de personagens marcantes.

Gemma é uma organizadora de eventos que se vê obrigada a cuidar da mãe que foi abandonada pelo marido. Ela está sempre se correspondendo por e-mail com sua amiga de Boston e esses e-mails são recheados de histórias hilárias que podem muito bem virar um livro.

Jojo é uma agente literária linda e batalhadora, mas se envolve com um de seus chefes que é casado. Eu sei que vocês estão pensando que é um clichê, mas aqui a situação é diferente. Pensa que ela fica se lamentando por ele não abandonar a esposa para ficar com ela? Que passa as noites de sábado chorando? Definitivamente não. Embora esteja apaixonadíssima, ela é que o “enrola”.

Lily é autora de relativo sucesso. É casada com o sempre otimista Anton e mãe de Ema (com um “m” só mesmo). Mas se verá muito decepcionada com seu momento presente e em dúvida sobre o futuro.

Gemma e Lily eram amigas até que Anton – ex-namorado de Gemma – se apaixona por Lily e ela por ele. Jojo é agente de Lily e futuramente será também de Gemma, mas as três nunca estarão juntas na história. Ainda tem Irina, sempre pessimista; Owen, um caso de Gemma; a turma toda da agência na qual Jojo trabalha; o farmacêutico Johnny e vários personagens secundários que contribuem muito com a comédia toda.

Bem, reconheço! Exaltei-me na paixão. Talvez esse alto-astral todo seja reação da boa história. E talvez você leia e deteste. Mas sou fã número 1 e não nego essa condição.

www.livronochadascinco.blogspot.com

"Melancia" de Marian Keyes



Sentimentalismos à parte, Melancia é uma rara surpresa da literatura estrangeira contemporânea. Por esse motivo, não é de se admirar que antes de estar na lista dos mais vendidos no Brasil, estourou na Inglaterra, fazendo com que a escritora irlandesa Marian Keyes, autora do livro, tenha vendido a peso de ouro os direitos autorais para a publicação de suas obras na Alemanha e Estados Unidos.
O universo da mulher na faixa dos 30 anos é retratado por meio de personagens carismáticos, reviravoltas e comentários hilariantes e feministas da protagonista. É claro que não faltam farpas ao comportamento masculino. Melancia é de uma leitura maravilhosamente despretensiosa,
ironizando e se aproveitando dos clichês para elaborar uma boa história, embora com uma narrativa àgua-com-açúcar e previsível.

O livro conta o drama da garçonete Claire, abandonada pelo marido após dar à luz uma menina, logo depois que ele confessa ter um caso com uma vizinha também casada. Com a auto-estima em baixa, 29 anos e a forma física aparentando a de uma melancia, Claire resolve voltar para a casa da família: o pai à beira de um ataque de nervos, a mãe com fobia de cozinha e viciada em telenovelas e duas irmãs. Uma, destruidora de corações; outra, fanática pelo ocultismo.

Em meio a muitas lágrimas, depressão e bebedeiras, Claire refaz a vida e se interessa por Adam - boa pinta, inteligente e, claro, supersensível. O problema é que ela acha que Helen - a irmã demolidora de corações - está apaixonada, pela primeira vez, pelo tal galã e não quer magoá-la. Para complicar a situação, James, o marido, volta, acusando a mulher de tê-lo induzido a procurar uma amante.

Cada capítulo do livro parece o episódio de uma Sitcom - Situation Comedy - ou mesmo um folhetim de alguma novela das seis. O enredo gira em torno de coincidências ("... então, simplesmente aconteceu que me sentei ali e Adam entrou, apenas uma hora e meia depois que eu chegara..." pág. 276), segredos que só se revelarão no último capítulo, um audacioso plano de vingança e uma lição de moral: o que não mata fortalece, desde que a desgraça seja encarada com o mínimo de senso de humor. Bom para você ler quando estiver triste. O jeito é degustar a Melancia com prazer, já que o livro está bem longe de ser um "abacaxi".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez


Tempos atrás comecei a ler o livro Cem Anos de Solidão do escritor colombiano Gabriel García Márquez. A história se passa numa cidade fictícia chamada Macondo, perdida em algum lugar do Caribe. Gabriel García Márquez – prêmio Nobel de literatura - é o precursor da escola latino-americana de realismo fantástico, seus livros são recheados de situações oníricas e fantásticas aliadas aos costumes e cultura latino-americana.

Acabei a leitura e fiquei impressionado com o capítulo final, especificamente na forma como o escritor amarra toda a história de várias gerações da família Buendía de forma magistral, tornado o romance praticamente uma história cíclica. Após a leitura da última página no final catártico do livro, voltei automaticamente à primeira página somente para me certificar como começava a história e o livro envolveu-me. Acabei lendo-o novamente, consecutivamente.

Quero chamar atenção para uma passagem do livro na qual o autor faz a descrição de uma relação sexual entre um homem e sua tia. A passagem é de um erotismo impressionante, o que me chamou a atenção, visto que não se encontram muitos ensaios sobre o erotismo e a sexualidade na obra do escritor colombiano. Faz-se necessária uma introdução para entender em qual momento da narrativa nos encontramos: Os personagens citados são Aureliano Buendía, sua tia Amaranta Úrsula e Gastón seu esposo. Aureliano é o filho bastardo de Meme que foi despachada para um convento logo após a gravidez e morreu por lá de velhice. Entregue aos cuidados da avó por uma freira do convento ele nunca conheceu o mundo e permaneceu praticamente escondido da sociedade, fechado dentro de um quarto tentando decifrar os antigos pergaminhos do cigano Melquiádes. Amaranta que é a irmã mais nova de Meme viveu a infância toda aprontando travessuras junto com seu sobrinho Aureliano, pois na época tinham praticamente a mesma idade. Quando Amaranta entrou na adolescência foi estudar em Bruxelas a capital da moda, era uma mulher moderna para o seu tempo e decidiu voltar a morar na cidade de sua infância, Macondo, que por essas épocas era um vilarejo perdido e empoeirado. Trouxe à tira-colo o marido Gastón, um sujeito fino que almejava montar uma companhia de aviação postal naquela cidade perdida. Aureliano sonhava e nutria uma paixão secreta pela tia desde a infância e a cena se passa no momento em que ele já não agüenta mais tamanha ansiedade e embriagado pelo álcool e pela paixão descabida resolve tomar o que lhe acredita ser de direito. Amaranta também sempre gostou de Aureliano e quando voltou de Bruxelas ficou fascinada pelo homem rústico e de ar solitário no qual se transformara o sobrinho, chama-lhe de “meu antropófago”. Cabe salientar que Aureliano e Amaranta nunca souberam de seu parentesco e moravam os três na mesma casa.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"O menino do pijama listrado" John Boyne



Mesmo sendo uma obra ficcional, é impossível não verter lágrimas a cada capítulo do livro “O Menino do Pijama Listrado” de John Boyne. O pano de fundo da história trata do horror da 2ª Guerra Mundial e o hediondo holocausto, retratado pelo olhar infantil de Bruno, um menino de 9 anos de idade, filho de um Comandante, Oficial do exército do Líder Nazista, o Ditador Adolf Hitler.
Bruno se vê forçado a abandonar às pressas sua confortável vida em Berlim, após o Pai ser designado para comandar um campo de concentração em Auschwitz (que sua língua infantil entende por “Haja Vista”). Alheio à guerra que envolve seu país, a Alemanha, com boa parte da Europa, mudam-se para uma região desolada onde nada o faz feliz. O pequeno vê seus dias passarem através da janela, onde observa uma grande cerca que separa pessoas de seu convívio e nota que todas andam uniformizadas, usando um pijama listrado. Ele não entende bem as diferenças que separam os dois universos e, em um dia bastante entediado, resolve brincar de explorador, até que se depara com um menino de pijama listrado do outro lado da cerca. Shmuel, um menino judeu preso no campo de concentração, tem a mesma idade de Bruno e curiosamente nascera no mesmo dia em que ele. Os dois tornam-se grandes amigos e pouco a pouco passam os dias conversando sobre as razões que os separam, entendem que a amizade é proibida, mas não compreendem o porquê.
Paralelo às atrocidades cometidas pelo exército alemão, surge a beleza da amizade, pura e despretensiosa. Um olhar inocente sobre o horror do holocausto, que tantas vítimas fez, manchando a história do cenário político mundial. Mesmo não explorando a fundo todo o impacto vivido em meio à década de 40, onde polidamente o autor poupa os leitores dos detalhes sórdidos (vistos anteriormente em “A Lista de Schindler” e em “O Pianista”), é impossível não comover-se com a pureza do olhar pueril frente à situação de guerra e sentir um nó na garganta ao perceber, página a página, o valor de uma amizade verdadeira, como a de Bruno e Shmuel.
Crime e castigo andam de mãos dadas e os universos antagônicos se encontram e as conseqüências levam a um desfecho trágico, onde percebe-se claramente a mensagem de Boyne, levando à reflexão sobre os atos cruéis que podem se voltar contra quem os pratica. Por motivos óbvios, não vale a pena estragar a surpresa e o prazer que a leitura desse Best seller suscita nos leitores, mas fica o convite para degustar essa história contida neste primoroso livro.
Patrícia Rech

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amor- José Luiz Furtado


Li esta semana que passou um livro encantador: "Amor". Como cheguei ao livro? Fui à Saraiva do Shopping Flamboyant, em Goiânia. Dirigi-me, como geralmente faço, primeiramente à estante dos livros de Filosofia. Uma psicóloga ao meu lado procurava um livro da filósofa Marcia Tiburi. Trocamos algumas ideias. E, na estante de filosofia, entre os vários títulos lá dispostos, encontrei o livro "Amor". Apanhei-o de súbito. A capa é atraente e inteligentemente bolada. Seduz.
Fui para a QUARTA CAPA: "Se é possível filosofar na universidade? A filosofia pode curar? Ética e honestidade são a mesma coisa? A razão embota a sensibilidade? A filosofia é sempre atéia? Ela é a boa conselheira? Ou é uma ciência que falhou? Liberdade para perguntar, liberdade para filosofar. Este é o princípio da 'Filosofia & Verso', coleção que parte de questões que todos nós, em algum momento, às vezes até sem perceber, costumamos fazer em relação a tudo. Com uma linguagem acessível a qualquer pessoa que queira pensar, estes livros buscam entender os grandes temas da vida humana com os instrumentos que a filosofia continua a nos oferecer há mais de dois mil anos"
Lida a quarta capa, fui para a ORELHA: "Amor, de José Luiz Furtado, deflagra imediatamente uma questão: como o amor é um dos temas mais corriqueiros da cultura contemporânea – não tendo sido necessariamente um tema dominante em todas as épocas históricas, mesmo no Ocidente –, é difícil à primeira vista imaginar o que a filosofia pode acrescentar a um assunto já abordado por todos – da música popular à poesia, passando pelo cinema e pelas conversas de bar e de chats da internet. Mas justamente por isso, a filosofia pode dar ao tema um vigor renovado, distante, portanto, da grande redundância que o envolve na música popular e na poesia, passando pelo cinema e pelas conversas de bar e de chats da internet... Se o amor é um tema vital, abordá-lo de forma inteligente é, além de inteligente, vital. Este livro, portanto, o aborda não apenas de modo inteligente, como abrangente, mapeando a história do amor desde a filosofia grega (e o mito de Eros) até o surgimento moderno do amor romântico e sua permanência na cultura contemporânea."
Vencida a orelha, fui ver o CURRÍCULO DO AUTOR: "José Luiz Furtado [surpresa feliz a minha] nasceu em Campos Gerais, MG [meu conterrâneo, da mesma cidade em que nasci], em 1956. Graduado, mestre e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto e autor, entre outros, de 'Trânsito filosófico: política e ciência."

Li o livro como se estivesse estudando o amor pela primeira vez. Um livro e tanto!!!

Vale a pena, viu!!!! O amor é para ser vivido, mas o que vale a pena ser vivido também vale a pena ser lido. E como!!!

Wilson Correia
Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bonita Luz- O sumiço do anjo barroco


Bonita Luz é uma menina curiosa que ainda pequena enfrenta um momento muito difícil - a morte da sua mãe. Sozinha no Rio de Janeiro com o pai, que é transferido e se vê obrigado a viajar, a menina vai morar com a avó em Tiradentes, no estado de Minas Gerais. O que poderia ser uma experiência traumática transforma-se então em um horizonte de descobertas e aventuras - Bonita faz novos amigos e é apresentada ao confortável mundo da comida caseira, dos doces de Minas e da vizinhança de uma cidade do interior. Além de muitas descobertas, Bonita faz um grande amigo - é o menino Quincas, que trabalha como guia turístico na cidade. Juntos, Bonita e Quincas envolvem-se em um mistério que mobiliza várias pessoas; o sumiço de um anjo barroco, que foi roubado da sacristia da igreja. Muitos são os suspeitos, entre eles um homem estranho conhecido por todos como o louco. Bonita Luz conduz o leitor pelas paisagens de Tiradentes - como a maria-fumaça, os antiquários e as belas igrejas -, e revela a importância de se enfrentar desafios e ter coragem de experimentar o desconhecido.




Sobre o autor:

MORETZSOHN, ANA MARIA
Ana Maria Moretzsohn, carioca, é jornalista formada pela Escola de Comunicação da UFRJ. Autora e roteirista de televisão desde 1985, escreveu mais de 15 novelas nas redes Globo e Bandeirantes. Foi responsável, junto com Ricardo Linhares, pela implantação do programa Malhação (TV Globo -1995); adaptou, em 1999, o romance Meu pé de laranja lima para a TV Bandeirantes, e na mesma emissora foi co-autora do telefilme Contos de Natal. Escreveu, para uma rádio e televisão portuguesa, o seriado Riscos, de temática adolescente. É autora, entre outros, de Como uma onda no mar, livro infanto-juvenil.


MORETZSOHN, PATRICIA
Patrícia Coelho Moretzsohn também é carioca e mestre em Letras – Estudos de Literatura pela PUC-Rio. Roteirista profissional, desde 1995 atuou em diversos programas voltados para o público infanto-juvenil e adolescente, como Malhação, Caça-Talentos, Angel Mix e a novela Estrela Guia. Patrícia assina a redação final da novela Floribella, adaptação do original argentino Floricienta, exibida na TV Bandeirantes.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Não conte a ninguém- Harlan Coben




Tudo o que o dr. David Beck queria era ser capaz de esquecer os eventos relacionados com o desaparecimento e morte de sua mulher, Elizabeth, oito anos antes. A polícia encontrara o corpo, marcado com a letra K, e associara o crime às atividades de um serial killerque vinha atuando na área. Mas agora a descoberta de dois outros corpos e uma série de mensagens de computador parecem trazer o passado à tona. E mais; parecem indicar que Elizabeth ainda está viva. Ela não só quer se comunicar com David, como estipula para isso um horário que só os dois conhecem; a hora do primeiro beijo. David precisa descobrir a verdade e lançar-se bem depressa atrás desse sinal de esperança antes que seja capturado, pois a polícia desconfia de que ele esteja envolvido no assassinato de Elizabeth, ou morto, pois há alguém mais interessado do que ele em enterrar o passado o mais fundo possível. Neste suspense irresistível, Harlan Coben, um dos mais consagrados autores de thrillersda atualidade, faz com que o leitor se sinta (junto com David) como se andasse numa corda bamba, onde cada passo em falso pode colocar tudo a perder.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Comer, Rezar, Amar- Elizabeth Gilbert


O prazer mundano, a devoção religiosa e os verdadeiros desejos.Sucesso mundial com mais de 4 milhões de exemplares vendidos, "Comer , Rezar, Amar" ocupou por cerca de um ano o primeiro lugar da lista de mais vendidos do The New York Times e foi lançado em trinta países.As vendas do livro, publicado no Brasil em fevereiro de 2007, cresceram de maneira significativa nos últimos meses - apenas em janeiro, foi vendida mais da metade do total de exemplares comercializados ao longo de todo o ano passado. Graças a esse enorme sucesso entre os leitores brasileiros, Comer, rezar, amar acaba de ganhar uma edição em novo formato.Elizabeth Gilbert estava com quase trinta anos e tinha tudo o que qualquer mulher poderia querer: um marido apaixonado, uma casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sentia-se confusa, triste e em pânico.Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado. Até que decidiu tomar uma decisão radical: livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo – sozinha. "Comer, Rezar, Amar" é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles. "Assim, quis explorar a arte do prazer na Itália, a arte da devoção na Índia, e, na Indonésia, a arte de equilibrar as duas coisas", explica.Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. Na Índia dedicou-se à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, viajou durante quatro meses. Já em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também se apaixonou da melhor maneira possível: inesperadamente.Escrito com ironia, humor e inteligência, o best seller de Elizabeth Gilbert é um relato sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor.Aclamado pelo The New York Times como um dos 100 livros notáveis de 2006 e escolhido pela Entertainment Weekly uma das melhores obras de não-ficção do ano, "Comer, Rezar, Amar" originou o roteiro do filme homônimo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"O monge e o executivo" de James C. Hunter


Este foi um dos primeiros livros sobre liderança lançados, com caráter não técnico. O Monge e o Executivo conta uma história de um executivo de uma empresa que, no limite do stress, é inscrito pela mulher em um programa para reflexão em um monastério. Lá, o monge que recebe o executivo (e os outros personagens) é um ex-presidente de uma multinacional, mega bem-sucedido mas que decide largar tudo para viver como monge.

Nossas decisões são reflexos nem sempre racionais e, por isso, os fatores emocionais, intrapessoais e de administração são tão importantes. A leitura de O Monge e o Executivo é capaz de reativar esses laços e também a relevância do relacionamento de liderança, respeito e humildade que deve existir em nosso dia-a-dia.

Vale dizer nessa resenha, que o exercício da liderança é preciso tomar decisões pessoais e aplicar princípios, pois existe uma diferença entre liderança e gerência: na liderança o líder lidera pessoas enquanto na gerência o gerente gerencia coisas.

Eu considero a idéia do livro muito boa para ser aplicado a quem tem subordinados. Não é novidade que melhorar o clima organizacional motiva e melhora a produtividade. Porém, a forma como isso tudo é abordado no livro é de fato muito interessante e proveitosa. Mesmo quem não gosta de ler, vai gostar do livro. Talvez seja por isso que está sempre entre os mais vendidos… possuindo até uma versão em áudio (audiobook).

Em resumo, para o autor, um líder é alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas de seus liderados e, para tanto, necessário é saber o significado e o sentido do verbo servir, pois para liderar é preciso servir, com limites, responsabilidades e estímulos para se tornarem melhores, percebendo as diferenças entre necessidades e vontade e com uma forte dosagem de flexibilidade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Vencendo o desafio de escrever um romance" Ryoki Inoue


Quem conhece a obra de José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue sabe do extremo apuro com que ele elabora seus romances. Os contextos históricos e geográficos são exaustivamente pesquisados para que seus personagens se movam no cenário adequado. A linguagem elegante e os diálogos precisos fazem da leitura um prazer. Os conflitos centrais das narrativas – todo romance tem um conflito, ele ensina – se desenvolvem de forma a prender a atenção do leitor até o fim. Pois bem: Ryoki resolveu compartilhar sua técnica afiada com os candidatos a escritores. Há dez anos ele já havia dado um passo nessa direção ao publicar “O Caminho das Pedras”, um volume de normas que ensinavam a escrever bem. Agora, com “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”, ele leva seu projeto a frente com um manual completo sobre como se aventurar com sucesso na literatura de ficção.

Escrever romances é um sonho recorrente de muita gente amiga das letras. Seja por um desafio pessoal, para se provar capaz de aderir à seara dos autores que admira, seja por vislumbrar uma possível carreira de escritor. Mas escrever um romance – sabe quem já tentou – significa percorrer uma longa jornada por terreno acidentado. Não basta uma boa idéia. Para chegar ao fim do percurso, é preciso levar na bagagem uma extensa lista de ferramentas, necessárias até para saber se a idéia inicial é realmente boa. Sem elas, o romance desmorona e se transforma num amontoado de palavras incapaz de atrair leitores. Todas essas ferramentas estão em “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”. A obra impressiona pelo detalhamento com que o autor explica cada uma das etapas necessárias para chegar ao resultado que o título promete.

Para exemplificar suas lições, Ryoki cita no livro muitos autores de leitura imprescindível para quem quer escrever romances. Entre eles, Thomas Mann, o gigante da literatura alemã, autor de “A Montanha Mágica” e “Morte em Veneza”. Mann definia o escritor como “alguém que tem mais dificuldade em escrever do que as outras pessoas”. Ryoki, ao que tudo indica, partilha da mesma opinião. Logo no início de “Vencendo o Desafio de Escrever um Romance”, do alto de seu cachimbo que emite vapores filosóficos, ele adverte que para construir um romance “é fundamental o sacrifício, o esforço, o deixar de lado momentos de lazer, de diversão, de sono”. Até mesmo a boa forma física, ele alerta, é importante no processo. O autor diz que procura encarar as etapas da elaboração de um livro como pedras a serem removidas do caminho. Deparar-se com essas pedras, contudo, não produz desânimo, mas estímulo e desafio para seguir adiante. Ryoki explica como lidar com cada uma dessas pedras – a sinopse, o argumento, a story-line, a “síndrome da tela cinza do computador” e até mesmo a negociação dos direitos autorais com a editora. Mas, atenção: na prosa leve e bem humorada de Ryoki, essas advertências e orientações nunca soam ameaçadoras. As pedras de Ryoki sorriem. Até mesmo Stanislaw Ponte Preta, o rei da gozação no Rio de Janeiro dos anos dourados é citado um par de vezes.

É bom esclarecer que poucos autores brasileiros seriam tão qualificados quanto Ryoki Inoue para escrever um manual como este. Ryoki tem no currículo 1.074 romances publicados, cifra que o alçou ao Livro Guinness dos Recordes – a edição internacional, ressalte-se – como o autor que mais escreveu livros até hoje no mundo. Outra característica da obra de Ryoki que o habilita a passar adiante suas lições é a variedade de gêneros a que ele já se dedicou. Em matéria de ficção, o homem já escreveu de tudo, de suspense a faroeste, de histórias de amor a aventuras baseadas em fatos reais. A essa última categoria pertence o mais recente romance de Ryoki, “Saga”, uma espécie de “Cem Anos de Solidão” da imigração japonesa no Brasil. Um colosso no qual se vê como funcionam, na prática, as lições que ele reúne neste manual.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O PRÍNCIPE – MAQUIAVEL


O “Príncipe”, obra de Nicolau Maquiavel, trata da hereditariedade, da conquista e manutenção de um governo. O autor chama “Príncipe” os governantes (reis) da época e antes a publicação da obra. Além da hereditariedade, da conquista e manutenção de um governo a obra traz em si conselhos, feitos por Maquiavel, e comprovados com narrativas de reis passados e seus feitos de sucesso ou fracasso.
Dentro da obra o leitor encontrará uma estrutura moldada em 26 capítulos distribuídos sob tópicos que podem ser divididos da seguinte forma: Os iniciais tratam da forma pela qual o Príncipe (governante) adquire o seu principado (governo) e como deve porta-se para conservá-lo, Maquiavel cita como alguns reis perderam seus reinados: caso de Dario, da Pérsia. Do capítulo VI ao XIV, o escritor aborda a importância do Exército e das armas para conquistas ou guarda do principado (governo). Nos capítulos finais, Maquiavel, trabalha a psicologia comportamental do Príncipe (Governador, Presidente, Rei) diante de seus subordinados, aqui, o escritor intensifica seus conselhos, os dando na sua maioria em primeira pessoa e direto aos líderes.
Quando escreve o livro, Maquiavel o faz tentando agradar Os Médices, os governantes da sua época, embora não o consiga de mediato e sofre o desemprego, Maquiavel é contratado mais tarde.
É interessante relatar aqui alguns fatos e conselhos que tomam destaque na obra e que por si resumem os capítulos do livro, é o caso da frase do capítulo III, onde Maquiavel exemplifica o surgimento de um principado: “Os principados são ou hereditários, quando a estirpe do seu senhor desde longo tempo os rege, ou novos. Estes, ou são totalmente novos, como foi o de Milão para Francisco Sforza, ou são como membros acrescidos ao estado hereditário do príncipe que os adquire, como é o reino de Nápoles para o rei da Espanha.”. A partir daqui o autor busca explicar aos reis a hereditariedade de um Estado, seus pontos falhos, fracassos ou sucesso, claro que como dito anterior, Maquiavel, justifica usando narrativas passadas. Nesta parte, Maquiavel mostra que o principado novo sofre mais dificuldades para se manter, enfrentando rejeições, revoltas e guerras civis dentro da nova conquista: “É que os homens gostam de mudar de senhor, julgando melhorar, e esta crença os induz a pegar em armas contra quem os governa”.
Ainda nos capítulos iniciais do livro, alguns trechos podem chocar o leitor, sendo este do povo ou assessor, mas é uma prática aconselhável, segundo Maquiavel, para o sucesso de um Principado (governo): “Note-se que os homens devem ser bem tratados ou então aniquilados”. Segundo Maquiavel, um Rei há que tomar uma única posição em determinados momentos e as impor com todo o rigor.
Muitos principados surgem e são os mais variados meios para se consegui-los, como dito anterior, por hereditariedade, por conquista, eclesiásticos, por crimes e por agrado Civil. Neste último, o autor coloca que sempre haverá maior tranqüilidade para o Príncipe, pois aqui ele chegara com o apoio do povo: “Quem, portanto, se tornar príncipe, com o favor do povo deve conservá-lo seu amigo; e isto não lhe será difícil, já que o povo só deseja estar livre da opressão”. Além do citado, encontrado no capítulo IX, é comum a menção de Maquiavel no tocante aos príncipes e os tratamentos que devem ser destinados aos seus súditos civis.
Além do povo, dos principados novos e hereditários, o escritor destina boa parte do livro os Principados e suas Defesas, ou seja, aos soldados e as armas, para falar sobre esta parte, o escritor reserva os capítulos XII, XIII, XIV expondo as narrativas de reis que agiram com soldados próprios, milícias ou com soldados emprestados; chama a atenção que lutar ao lado de milícias é caminhar rumo ao fracasso: “Desejo demonstrar melhor os males que o emprego dessas tropas acarreta. Os capitães mercenários ou são homens de valor ou não. Se o são, ninguém pode confiar neles, pois sempre aspirarão à grandeza própria, seja oprimindo, para isto, o príncipe que lhes paga o soldo, seja oprimindo os outros, fora das intenções dele”. Como sempre Maquiavel, exemplifica seus argumentos usando casos acontecidos na história e cita Os cartagineses que viram submetidos a soldados mercenários. O caso de Filipe de Macedônia que acabou por tirar a liberdade dos tebanos, de quem havia recebido o cargo de capitão das suas tropas após a morte de Epaminondas.
Claro que o escritor ainda relata os prejuízos das tropas emprestadas, das mistas e por fim argumenta que o melhor é o Príncipe (governador) lutar sempre com suas próprias tropas.
Os últimos capítulos são referentes às atitudes que o “Príncipe” deve tomar para com os seus súditos: se este deve encher-se de bondade para com o seu povo ou deve ser temido; cruel ou clemente; cumprindo as promessas e de que forma. Resuma-se que o restante do livro a partir do capítulo XV é sobre o comportamento do príncipe para o êxito na empreitada. “Na verdade, quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os princípios da bondade, caminha para a própria perdição”. É importante ressaltar que nestes capítulos Maquiavel aconselha até sobre os gastos que o príncipe deve ter com seu povo. Ao término do livro, o Conselho é direto aos Príncipes da Itália, de sua época, claro. Neste término, Maquiavel encerra o livro exaltando as lideranças a lutarem pela liberdade da Itália, o escritor exalta a liberdade com argumentos e narrativas que vão desde o religioso ao humano.
Portanto, “O Príncipe” é uma obra que merece atenção a quem queira governar mesmo nos séculos atuais. A linguagem é clara e se desenrola com narrativas históricas interessantes. Os conselhos de Maquiavel merecem destaque dentro da obra, pois são apresentados com argumentos convincentes e duradouros ao tempo. A psicologia e a filosofia aplicadas no livro o torna imortal, compara-se aqui esta imortalidade semelhante ao “AMOR” de Shakespeare que eternizou “Romeu e Julieta”, ao “CIÚME” de Machado de Assis que eternizou “Bentinho em Dom Casmurro”. Para eternizar “O Príncipe”, Maquiavel abandona estes sentimentos – Amor, Ciúmes e lança mão de um sentimento humano tão imortal quantos os outros: A vontade de liderar, de governar, de ter poder. Tudo isto torna “O Príncipe” uma obra seleta, onde só uns poucos têm a capacidade de lê-la e compreendê-la na prática.


POR ISAAC SABINO

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Pecados Sagrados" de Nora Roberts




Combinando cenas de suspense explosivo com paixões arrebatadoras, Nora Roberts bota pra ferver nesta noví­ssima e clássica história - a tórrida narrativa de um casal no encalço de um assassino enlouquecido, uma busca que os fará mergulhar de cabeça no perigo.Nos indolentes dias de verão, uma impiedosa onda de calor é o principal assunto na capital norte-americana. Mas a condição climática logo deixa de ser matéria das primeiras páginas quando uma jovem é encontrada morta por estrangulamento. Um bilhete foi deixado: Seus pecados lhe são perdoados.Logo surgem duas outras ví­timas, e, de repente, as manchetes passam a ser dedicadas ao assassino que a imprensa apelidou de "Padre".Quando a polí­cia pede à Dra. Tess Court, uma psiquiatra renomada, que auxilie na investigação, ela apresenta o retrato de uma alma perturbada.O detetive Ben Paris não dá a mí­nima para a psique do assassino. No entanto, o que ele não consegue descartar com facilidade é a sensual Tess.Moreno, alto e bonitão, Ben tem uma reputação lendária com as mulheres, mas a fria e elegante Tess não reage como as outras que ele conheceu... e o detetive acha o desafio sedutor. Agora, enquanto os dois estão juntos numa perigosa missão para deter um serial killer, irrompe a chama de uma paixão incandescente.Mas há alguém que também está de olho na linda médica loura... e só resta a Ben rezar para que, se o assassino atacar, ele consiga detê-lo antes que seja tarde demais...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

"Vitrais D'Alma - Poesia em Quatro Estações" de Maria Ignez Urban Pimentel


Poesias e contos que retratam memórias de toda uma vida estão presentes no livro Vitrais D'Alma - Poesia em Quatro Estações, que a professora e advogada Maria Ignez Urban Pimentel lança hoje, a partir das 19h, no Frans Café. Aos 73 anos de idade, ela, que nunca imaginou lançar um dia seu próprio livro, tem a felicidade de contar com a colaboração de seus dois netos para a capa: Maíra, de 11 anos, e Luca, 6 anos. A apresentação é do filho, também escritor, Paulo Urban.Maria Ignez Urban Pimentel, que lecionou História e Geografia em diversas escolas de Sorocaba, como o colégio Salesiano, o Estadão e o Anchieta, diz que sempre gostou de escrever sobre fatos de seu cotidiano, mas costumava apenas anotar tudo em um caderno preto e deixar guardado na gaveta. O filho Paulo, quando ainda era pequeno, se divertia em ler os escritos da mãe. O tempo passou, o caderno foi ficando cada vez mais sem espaço e então, já adulto, Paulo incentivou a publicação. Meu filho leu e achou que valia a pena lançar. Isso é algo inesperado na minha vida, uma nova experiência para mim, afirma.As passagens registradas na obra percorrem momentos da vida da escritora desde sua infância. Falo do quintal de minha avó, da vida em Leme, da casa na rua Miranda Azevedo, as viagens que fiz, mas principalmente faço homenagens para minhas irmãs, filhos e marido, que já faleceu. Fico contente por poder editar minhas poesias e prestar essa homenagem à minha família.Maria Ignez conta ainda que o gosto pela escrita também fazia parte da personalidade de seu marido, Homero Pimentel, que junto com o filho Paulo Urban lançou três livros relacionados à História: D. Pedro I - Estranha Personalidade, Santos Dumont - Bandeirante dos Ares e das Eras e Fractais da História - A Humanidade no Caleidoscópio, premiados pela Academia Brasileira de História.Entre as poesias que Maria Ignez mais gosta está Caminheiro, que recita para a reportagem, quase em tom de conselho. Segue aqui um de seus versos: "Ao caminhar, leva nas mãos algumas estrelas / Para iluminar teu existir, / E na cabeça, uma coroa de alvoradas / A clarear o teu todo amanhecer. / Conduze o pássaro do pensamento / Pelo roteiro certo... / Pinta toda distância de azul, / Transpõe com alegria as cordilheiras / E o esforço dormirá pela paisagem."


Douglas Lara

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A menina que brincava com fogo- Stierg Larsson

Segundo volume da trilogia Millennium – um dos maiores sucessos da Suécia e de inúmeros países nos últimos anos –, A Menina que Brincava com fogo seduz pela trama movimentada e pelo conjunto de personagens secundários, presente tanto no lado dos bons quanto no lado dos maus (embora essa fronteira seja bastante tênue nos romances de Larsson).

“Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, raciocina Lisbeth Salander, protagonista de 'A menina que brincava com fogo'.

Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciber-pirataria quanto nas táticas do pugilismo. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro.

Lisbeth ajudou-o na investigação de outro caso intrincado, e salvou sua vida. Dotada de memória fotográfica e incrível habilidade em cálculos matemáticos e com computadores – inclusive para invadir sistemas alheios –, ela carrega um misterioso trauma juvenil. Tudo indica que esse trauma, na esteira do qual foi condenada à internação psiquiátrica aos doze anos e julgada juridicamente incompetente aos dezoito, pode ter ligação com os acontecimentos atuais.

Na mesma noite, contudo, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros e dois cordeiros também foram assassinados - um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis, e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

"Os homens que não amavam as mulheres" de Stieg Larsson.


Já faz algum tempo que um livro não faz por mim o que este fez. Proporcionou-me um descanso qualitativamente diferente. Os homens que não amavam as mulheres é o primeiro de uma trilogia – Millennium. É um livro envolvente, destes que quando a gente começa não quer largar e quando se termina se experimenta um vazio e uma ligeira nostalgia de personagens cativantes que nos roubam temporariamente da rotina.
A história é a de um jornalista, Mikael Blomkvist, crítico econômico, um profissional ético, muito atento às regras do bom jornalismo, politicamente correto sem ser chato. E é claro que sua ética se estende as suas relações pessoais. É sócio proprietário da revista Millennium de Érika Berger, sua colega de faculdade e amante ocasional. Érika é casada com o artista plástico Lars Beckman. Sim, há um triângulo amoroso nesta história, mas nada que faça Édipo furar os olhos.
Há um outro sócio na jogada, Christer, mas este é quase um figurante.
O Super Blomkvist, alcunha que ganhara de seus colegas jornalistas quando denunciou quatro jovens suspeitos de compor uma quadrilha denominada, também pela imprensa, de Irmãos Metralhas, escreveu uma matéria denúncia sobre um industrial, Hans-Erik Wennerström. Blomkvist acusou Wennerström de desviar fundos sociais destinados a investimentos industriais na Polônia para o tráfico de armas e por uma questão de não revelar sua fonte foi condenado a três meses de prisão por difamação.
Larsson vai apresentando as peças de seu quebra-cabeça que inicialmente vai sendo montado em áreas separadas, temporariamente dispersas, paralelas, mas que ao contrário destas, se encontrarão muito antes do infinito.
Apresenta-nos então Dragan Armanskij, um sujeito de 56 anos, nascido na Croácia, filho de pai judeu armênio e mãe mulçumana bósnia de ascendência grega. E apesar dessa combinação tida pelos aficionados por biologia racial como matéria humana inferior, ele não era nem traficante de drogas nem assassino mafioso, mas sim um economista talentoso que começara como assistente da Milton Security e 30 anos depois se tornara diretor executivo chefiando todas as operações.
Foi Dragan Armanskij quem empregou Lisbeth Salander, a pimenta mais ardida deste saboroso prato, digo livro.
Salander tinha o dom da investigação. Ela possuía a capacidade de se infiltrar na pele da pessoa investigada. “Se houvesse merda a revelar, atingia o alvo como um míssil programado”. Ninguém sabia dos recursos que Salander dispunha, mas ela era um hacker, uma hacker fodida, como dirá Mikael Blomkvist. Ela será contratada para investigá-lo.
Salander tem uma história pessoal instigante, ela era uma tutelada e como não tinha família seu tutor era uma pessoa encarregada desta função pelas autoridades sociais.
Na Suécia cerca de 4 mil pessoas se encontram na condição de tutelados. São pessoas consideradas com uma doença psíquica manifesta ou uma doença psíquica ligada à forte dependência de álcool ou drogas. Mas como Lisbeth Salander se negava a colaborar com qualquer tipo de avaliação diagnóstica, ela era submetida à condição degradante de não poder administrar sua vida e sua conta bancária. Enquanto tinha Holger Palmgrem como tutor, não se preocupava muito com seu estatuto jurídico, mas quando este foi substituído pelo dr. Nils Bjurman “a coisa mudou de figura” radicalmente.
A terceira pilastra sustentadora da história é Henrik Vanger. O líder do grupo empresarial da família Vanger. Ele contrata Mikael para escrever, neste ano de seu afastamento da revista Millennium para poupá-la da má fama de seu editor chefe e na tentativa de não afastar os anunciantes ou de tê-los de volta, uma crônica familiar da família Vanger. O motivo verdadeiro da contratação de Blomkvist é o desaparecimento da sobrinha preferida de Henrik, supostamente assassinada, mas que nunca apareceu o corpo. Henrik Vanger não se cansa de investigar por conta própria os acontecimentos do dia em que Harriet Vanger desapareceu, há 36 anos. Ele possui arquivos de fotos e de documentos do processo que coloca à disposição de Mikael. Este reluta muito em aceitar a louca tarefa de desvendar um acontecimento ocorrido há tanto tempo, um crime já prescrito. Teria que passar um ano, este ano em que estava condenado como jornalista, com a bunda grudada a uma cadeira escrevendo a biografia da família Vanger – um livro no mínimo interessante, e tentar descobrir pistas ainda não reveladas do desaparecimento de Harriet. No final deste ano, tendo ele descoberto algo significativo ou não, receberia um salário extravagante e, o quê o convenceu definitivamente a aceitar a proposta de Henrik Vanger, a cabeça de Wennerström numa bandeja.
Bem, as cartas estão lançadas e espero ter aguçado em meus poucos, mas estimados leitores o desejo incontinente de ler Os homens que não amavam as mulheres.
Larsson morreu em 2004, com 50 anos, de ataque cardíaco, após ter entregado ao seu editor a sua trilogia Millennium. Quanta emoção! É a vida imitando uma boa ficção literária.

Rosana de Almeida

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

" A Barca Branca' de Marialzira Perestrello


Não é de hoje a imagem da barca. Enquanto mito e metáfora, ela é antiqüíssima. É a nave dos loucos, da iconografia medieval. É o bateau Livre, de Rimbaud. É uma embarcação maldita, como aquela de onde o antigo marinheiro matou um albatrós, na balada de Coleridge, recebendo por isso um castigo terrível, ou aquela em que o holandês errante, na ópera de Wagner, foi condenado a navegar para sempre, como punição por sua blasfêmia. É também uma embarcação onírica, realização de desejo no mais puro sentido freudiano, como aquela sonhada por Jenny, na balada de Bert Brecht e Kurt Weil, em que um navio com oito velas e cinqüenta canhões vinga a heroína por todas as humilhações sofridas e desaparece com ela, rumo ao país da perfeita justiça.
Em todos esses exemplos, o que conta é a viagem, com um começo e um fim definidos. A viagem, ainda que simbólica, começa com a partida e termina, ou deveria terminar, com a chegada. É um processo temporal irreversível. No entanto, há um tipo de embarcação cujo objetivo não é propriamente uma viagem, e sim uma travessia, travessia sempre recomeçada, inscrita num tempo cíclico, aberto, em que cada chegada já é retorno, início de uma nova partida. Essa barca não está a serviço da viagem, e sim do trânsito, da passagem. São desse tipo as balsas, que ligam as duas margens de um rio. São desse tipo, também, as embarcações que ligam um continente a uma ilha, como a barca Durande, nos Trabalhadores do mar, de Victor Hugo, em seu interminável movimento pendular entre Saint-Malo e a ilha de Guernesey.
É assim a barca branca de Marialzira Perestrello. É a barca de Paquetá, também encarregada de ligar a terra firme a uma ilha, e tão cheia de significações míticas quanto a Durande, porque não se trata de uma ilha qualquer, e sim do lugar da felicidade perdida. Paquetá foi o locus amoenus em que ela se refugiava com seu marido Danilo, psicanalista como ela, numa casa de praia, numa baía ainda não poluída. Nessa casa o tempo parava, até o momento da volta ao Rio e à vida profissional. A barca simboliza tudo isso, embora nem sempre o casal a utilizasse, porque Danilo, navegador como outro Perestrello, seu antepassado remotíssimo, tinha sua própria lancha. Não importa: a barca, mesmo parada, é traço de união entre a ilha e o continente, entre o mundo do prazer e o do trabalho. (Sergio Paulo Rouanet)
Texto retirado de http://www.republicadolivro.com.br