quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"O menino do pijama listrado" John Boyne



Mesmo sendo uma obra ficcional, é impossível não verter lágrimas a cada capítulo do livro “O Menino do Pijama Listrado” de John Boyne. O pano de fundo da história trata do horror da 2ª Guerra Mundial e o hediondo holocausto, retratado pelo olhar infantil de Bruno, um menino de 9 anos de idade, filho de um Comandante, Oficial do exército do Líder Nazista, o Ditador Adolf Hitler.
Bruno se vê forçado a abandonar às pressas sua confortável vida em Berlim, após o Pai ser designado para comandar um campo de concentração em Auschwitz (que sua língua infantil entende por “Haja Vista”). Alheio à guerra que envolve seu país, a Alemanha, com boa parte da Europa, mudam-se para uma região desolada onde nada o faz feliz. O pequeno vê seus dias passarem através da janela, onde observa uma grande cerca que separa pessoas de seu convívio e nota que todas andam uniformizadas, usando um pijama listrado. Ele não entende bem as diferenças que separam os dois universos e, em um dia bastante entediado, resolve brincar de explorador, até que se depara com um menino de pijama listrado do outro lado da cerca. Shmuel, um menino judeu preso no campo de concentração, tem a mesma idade de Bruno e curiosamente nascera no mesmo dia em que ele. Os dois tornam-se grandes amigos e pouco a pouco passam os dias conversando sobre as razões que os separam, entendem que a amizade é proibida, mas não compreendem o porquê.
Paralelo às atrocidades cometidas pelo exército alemão, surge a beleza da amizade, pura e despretensiosa. Um olhar inocente sobre o horror do holocausto, que tantas vítimas fez, manchando a história do cenário político mundial. Mesmo não explorando a fundo todo o impacto vivido em meio à década de 40, onde polidamente o autor poupa os leitores dos detalhes sórdidos (vistos anteriormente em “A Lista de Schindler” e em “O Pianista”), é impossível não comover-se com a pureza do olhar pueril frente à situação de guerra e sentir um nó na garganta ao perceber, página a página, o valor de uma amizade verdadeira, como a de Bruno e Shmuel.
Crime e castigo andam de mãos dadas e os universos antagônicos se encontram e as conseqüências levam a um desfecho trágico, onde percebe-se claramente a mensagem de Boyne, levando à reflexão sobre os atos cruéis que podem se voltar contra quem os pratica. Por motivos óbvios, não vale a pena estragar a surpresa e o prazer que a leitura desse Best seller suscita nos leitores, mas fica o convite para degustar essa história contida neste primoroso livro.
Patrícia Rech

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Amor- José Luiz Furtado


Li esta semana que passou um livro encantador: "Amor". Como cheguei ao livro? Fui à Saraiva do Shopping Flamboyant, em Goiânia. Dirigi-me, como geralmente faço, primeiramente à estante dos livros de Filosofia. Uma psicóloga ao meu lado procurava um livro da filósofa Marcia Tiburi. Trocamos algumas ideias. E, na estante de filosofia, entre os vários títulos lá dispostos, encontrei o livro "Amor". Apanhei-o de súbito. A capa é atraente e inteligentemente bolada. Seduz.
Fui para a QUARTA CAPA: "Se é possível filosofar na universidade? A filosofia pode curar? Ética e honestidade são a mesma coisa? A razão embota a sensibilidade? A filosofia é sempre atéia? Ela é a boa conselheira? Ou é uma ciência que falhou? Liberdade para perguntar, liberdade para filosofar. Este é o princípio da 'Filosofia & Verso', coleção que parte de questões que todos nós, em algum momento, às vezes até sem perceber, costumamos fazer em relação a tudo. Com uma linguagem acessível a qualquer pessoa que queira pensar, estes livros buscam entender os grandes temas da vida humana com os instrumentos que a filosofia continua a nos oferecer há mais de dois mil anos"
Lida a quarta capa, fui para a ORELHA: "Amor, de José Luiz Furtado, deflagra imediatamente uma questão: como o amor é um dos temas mais corriqueiros da cultura contemporânea – não tendo sido necessariamente um tema dominante em todas as épocas históricas, mesmo no Ocidente –, é difícil à primeira vista imaginar o que a filosofia pode acrescentar a um assunto já abordado por todos – da música popular à poesia, passando pelo cinema e pelas conversas de bar e de chats da internet. Mas justamente por isso, a filosofia pode dar ao tema um vigor renovado, distante, portanto, da grande redundância que o envolve na música popular e na poesia, passando pelo cinema e pelas conversas de bar e de chats da internet... Se o amor é um tema vital, abordá-lo de forma inteligente é, além de inteligente, vital. Este livro, portanto, o aborda não apenas de modo inteligente, como abrangente, mapeando a história do amor desde a filosofia grega (e o mito de Eros) até o surgimento moderno do amor romântico e sua permanência na cultura contemporânea."
Vencida a orelha, fui ver o CURRÍCULO DO AUTOR: "José Luiz Furtado [surpresa feliz a minha] nasceu em Campos Gerais, MG [meu conterrâneo, da mesma cidade em que nasci], em 1956. Graduado, mestre e doutor em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto e autor, entre outros, de 'Trânsito filosófico: política e ciência."

Li o livro como se estivesse estudando o amor pela primeira vez. Um livro e tanto!!!

Vale a pena, viu!!!! O amor é para ser vivido, mas o que vale a pena ser vivido também vale a pena ser lido. E como!!!

Wilson Correia
Publicado no Recanto das Letras em 09/11/2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Bonita Luz- O sumiço do anjo barroco


Bonita Luz é uma menina curiosa que ainda pequena enfrenta um momento muito difícil - a morte da sua mãe. Sozinha no Rio de Janeiro com o pai, que é transferido e se vê obrigado a viajar, a menina vai morar com a avó em Tiradentes, no estado de Minas Gerais. O que poderia ser uma experiência traumática transforma-se então em um horizonte de descobertas e aventuras - Bonita faz novos amigos e é apresentada ao confortável mundo da comida caseira, dos doces de Minas e da vizinhança de uma cidade do interior. Além de muitas descobertas, Bonita faz um grande amigo - é o menino Quincas, que trabalha como guia turístico na cidade. Juntos, Bonita e Quincas envolvem-se em um mistério que mobiliza várias pessoas; o sumiço de um anjo barroco, que foi roubado da sacristia da igreja. Muitos são os suspeitos, entre eles um homem estranho conhecido por todos como o louco. Bonita Luz conduz o leitor pelas paisagens de Tiradentes - como a maria-fumaça, os antiquários e as belas igrejas -, e revela a importância de se enfrentar desafios e ter coragem de experimentar o desconhecido.




Sobre o autor:

MORETZSOHN, ANA MARIA
Ana Maria Moretzsohn, carioca, é jornalista formada pela Escola de Comunicação da UFRJ. Autora e roteirista de televisão desde 1985, escreveu mais de 15 novelas nas redes Globo e Bandeirantes. Foi responsável, junto com Ricardo Linhares, pela implantação do programa Malhação (TV Globo -1995); adaptou, em 1999, o romance Meu pé de laranja lima para a TV Bandeirantes, e na mesma emissora foi co-autora do telefilme Contos de Natal. Escreveu, para uma rádio e televisão portuguesa, o seriado Riscos, de temática adolescente. É autora, entre outros, de Como uma onda no mar, livro infanto-juvenil.


MORETZSOHN, PATRICIA
Patrícia Coelho Moretzsohn também é carioca e mestre em Letras – Estudos de Literatura pela PUC-Rio. Roteirista profissional, desde 1995 atuou em diversos programas voltados para o público infanto-juvenil e adolescente, como Malhação, Caça-Talentos, Angel Mix e a novela Estrela Guia. Patrícia assina a redação final da novela Floribella, adaptação do original argentino Floricienta, exibida na TV Bandeirantes.