terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez


Tempos atrás comecei a ler o livro Cem Anos de Solidão do escritor colombiano Gabriel García Márquez. A história se passa numa cidade fictícia chamada Macondo, perdida em algum lugar do Caribe. Gabriel García Márquez – prêmio Nobel de literatura - é o precursor da escola latino-americana de realismo fantástico, seus livros são recheados de situações oníricas e fantásticas aliadas aos costumes e cultura latino-americana.

Acabei a leitura e fiquei impressionado com o capítulo final, especificamente na forma como o escritor amarra toda a história de várias gerações da família Buendía de forma magistral, tornado o romance praticamente uma história cíclica. Após a leitura da última página no final catártico do livro, voltei automaticamente à primeira página somente para me certificar como começava a história e o livro envolveu-me. Acabei lendo-o novamente, consecutivamente.

Quero chamar atenção para uma passagem do livro na qual o autor faz a descrição de uma relação sexual entre um homem e sua tia. A passagem é de um erotismo impressionante, o que me chamou a atenção, visto que não se encontram muitos ensaios sobre o erotismo e a sexualidade na obra do escritor colombiano. Faz-se necessária uma introdução para entender em qual momento da narrativa nos encontramos: Os personagens citados são Aureliano Buendía, sua tia Amaranta Úrsula e Gastón seu esposo. Aureliano é o filho bastardo de Meme que foi despachada para um convento logo após a gravidez e morreu por lá de velhice. Entregue aos cuidados da avó por uma freira do convento ele nunca conheceu o mundo e permaneceu praticamente escondido da sociedade, fechado dentro de um quarto tentando decifrar os antigos pergaminhos do cigano Melquiádes. Amaranta que é a irmã mais nova de Meme viveu a infância toda aprontando travessuras junto com seu sobrinho Aureliano, pois na época tinham praticamente a mesma idade. Quando Amaranta entrou na adolescência foi estudar em Bruxelas a capital da moda, era uma mulher moderna para o seu tempo e decidiu voltar a morar na cidade de sua infância, Macondo, que por essas épocas era um vilarejo perdido e empoeirado. Trouxe à tira-colo o marido Gastón, um sujeito fino que almejava montar uma companhia de aviação postal naquela cidade perdida. Aureliano sonhava e nutria uma paixão secreta pela tia desde a infância e a cena se passa no momento em que ele já não agüenta mais tamanha ansiedade e embriagado pelo álcool e pela paixão descabida resolve tomar o que lhe acredita ser de direito. Amaranta também sempre gostou de Aureliano e quando voltou de Bruxelas ficou fascinada pelo homem rústico e de ar solitário no qual se transformara o sobrinho, chama-lhe de “meu antropófago”. Cabe salientar que Aureliano e Amaranta nunca souberam de seu parentesco e moravam os três na mesma casa.

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